Uma boa conversa é o que nos permite conhecer o outro e trocar vínculos vão se formando e se fortalecendo

A capacidade de dialogar está interligada à confiança que tenho em mim, em quem irá receber essa parte de quem eu sou, nos treinamentos que recebi ao longo do meu desenvolvimento e no autocontrole. Quando seu filho ou seu esposo (a) fala sobre seu dia, sobre o que viu ou sentiu, por mais rotineiras ou “bobas” que sejam essas informações, ele (a) está lhe entregando uma parte de si mesmo, portanto, tome cuidado com o que fará ao receber essa preciosidade.

O diálogo é o que nos permite conhecer o outro e é nessa troca que os vínculos vão se formando e se fortalecendo. É por meio do diálogo que aprendo a me expressar, a negociar, a lidar/conviver com as diferenças e, também, me reconhecer enquanto indivíduo pertencente e ao mesmo tempo único dentro da minha família.

Na maioria das famílias a dificuldade no diálogo chega quando os filhos se tornam adolescentes. Quando a posição do diálogo se encontra no “8 ou 80” ou não há comunicação ou há monólogos intermináveis. E para este primeiro aspecto aí vão algumas observações, que talvez sejam óbvias, mas o óbvio também precisa ser dito.

1º Se você colocar a hierarquia (eu mando e os outros têm que concordar) acima da troca, estarei sozinho nesse diálogo. Todo diálogo requer escuta e talvez você ouça coisas que não vão ao encontro do que você pensa, mas o objetivo do diálogo é conhecer, trocar ideias, ir mais a fundo desse ser que de repente se tornou estranho, distante e o qual eu sinto saudade e me preocupo;

2º A comunicação também acontece de forma não verbal, então esteja atento a mudanças de comportamento, rotinas, vestimentas, livros, filmes, gostos … tudo isso te dá dicas de como se aproximar e sobre os sinais de alerta. Assim, também cuidado com seus comportamentos, pois eles são observados atentamente pelas crianças. O falar e o fazer precisam caminhar juntos;

3º Se você perceber que seus sentimentos estão muito alterados e isso poderá prejudicar a forma como você irá se comunicar, peça uma pausa para respirar e organizar seus pensamentos. Uma palavra dita de forma errada pode gerar distanciamento e mágoas que demoram muito tempo para sarar.

Para que você possa melhorar seu diálogo é importante que você se conheça, comece a prestar atenção no seu tom de voz, no seu vocabulário, gesticulação,  expressão facial, nos seus sentimentos e emoções … e as diferenças que ocorrem em lugares, pessoas e situações diferentes. Conhecer-se é o pontapé inicial para saber o que mudar.


Natalia dos Santos Leite Batista CRP 08/ 24020
Especialista em Psicoterapia Humanista